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Pistas

1_561AIA primeira pista com curvas em relevé para corridas de automóveis foi construída em Weybridge, Surrey, Inglaterra.  A construção de Brooklands foi idéia de um rico inglês, entusiasta das corridas de automóveis, Hugh Locke King.  O objetivo principal de King era criar um espaço para que a indústria britânica testasse seus novos modelos de carro, em competições de alta velocidade.  O trabalho de construção de Brooklands começou em 1906 e em apenas 6 meses a pista estava pronta. O circuito, de forma oval, tinha quase 5 km,  com largura de 30 m. Em Brooklands os carros poderiam atingir a velocidade de até 160 km por hora.

A inauguração do circuito de Brooklands foi marcada pela presença de poucos espectadores  e pela hostilidade da imprensa especializada . O tamanho da pista fazia com que os carros praticamente sumissem; sem números para identificar os pilotos, o reconhecimento era feito pela cor da roupa. Foi preciso um ano para corrigir todos os problemas iniciais

e para que Brooklands se tornasse a pista mais importante da época. A partir da sua construção é que começou a distinção entre as provas de estrada e as de pista de velocidade.

Além disso, a pista de Brooklands foi importante para a indústria automobilística inglesa. Era o único lugar em que os carros podiam ser testados até o seu limite máximo. Várias indústrias importantes testaram ali os carros de maior fama  como o Vauxhall, Star e o Sunbeam. As indústrias estrangeiras também iam a Brooklands atrás de recordes. A Fiat, a Benz, entre outras levaram seus modelos mais velozes para correr em Brooklands. Mas o mais famoso recorde registrado na pista inglesa foi o de Percy “Pearley” Lambert, num carro Talbot, de 25 cv. Em fevereiro de 1913, Lambert atingiu 166 km por hora, em 1 hora de corrida .

Foi em 1907, também, que o jornal parisiense Le Matin organizou a corrida Pequim-Paris  na qual  apenas 5 carros atravessaram as regiões mais afastadas do mundo. O vencedor foi um Itala de 40 cv pilotado pelo príncipe italiano Scipione Borghese, que chegou a Paris dois meses depois da partida.

Animado com o sucesso da corrida, o jornal Le Matin resolve organizar um competição ainda mais ambiciosa. Para isso o jornal europeu associa-se ao The New York Times para organizar uma corrida de  32.000 km, de New York a Paris.  Poucos pilotos se inscreveram: 4 da França, 1 da Alemanha, 1 da Itália e 1 dos EUA. O primeiro passo foi sair de New York e chegar ao Alasca. Dali, os competidores atravessaram o Estreito de Behring puxados por trenós até Vladivostok, em seguida, através da Rússia até Irkutsk, Moscou, Berlim e finalmente Paris.

A viagem transamericana  teve neve, chuva e lama e todos os carros apresentaram defeitos. Em São Francisco, ainda na primeira fase da corrida, apenas 4 carros estavam na prova: O Thomas-Flyer, carro norte-americano, o Brixia-Züst, da equipe italiana, o De Dion francês e o Protos, carro da Alemanha. Depois de 26 dias de viagem o  piloto norte-americano a bordo do carro Thomas-Flyer foi declarado vencedor.

7_1CEnquanto isso, o Grande Prêmio da França era mais uma vez organizado pelo Automóvel Clube . O de 1908 foi realizado em 7 de julho no circuito de la Seine-Inférieure. Foram 10 voltas num percurso de 75 km. Esta corrida , ao contrário das anteriores foi marcada por problemas entre equipes e o Automóvel Clube Francês que proibia o uso de rodas destacáveis. Por causa do regulamento, a corrida foi vencida por um carro Mercedes, da Alemanha com uma velocidade média de 110 km por hora. A indústria automobilística da França, incapaz de aceitar esta derrota, acabou propondo a proibição de todas as corridas de automóveis no país.  Foi somente em 1912 que o Automóvel Clube da França resolveu organizar um novo Grande Prêmio. O circuito escolhido para a realização da prova foi o de Dieppe onde os participantes deviam completar 10 voltas em dois dias seguidos. Neste ano o vencedor foi um carro da Peugeot  pilotado pelo francês Georges Boillot. No ano seguinte Boillot venceu mais uma vez o Grande Prêmio com um diferença de 3 minutos e meio sobre outro francês, Jules Goux. O último GP da França disputado antes da I Guerra Mundial , em 1914 aconteceu em Lyon. Desta vez um piloto alemão, Lautenschlager, com uma Mercedes saiu vencedor da França.

A I Guerra Mundial suspendeu a realização de corridas na Europa. Mas nos EUA as disputas continuaram. Em 1909 acontece a primeira prova em Indianápolis, uma pista asfaltada com 3,8 km. No ano seguinte, 1910, realiza-se o I Grande Prêmio Norte-Americano, em Savannah, e em 1911 acontecem as primeiras 500 Milhas de Indianápolis, com a vitória de Rov Harroun, pilotando um Marmon a 120 km por hora.

As 500 Milhas foram corridas normalmente em 1915 e no ano seguinte transformaram-se em 300 Milhas. Com a entrada dos EUA na I Guerra, as corridas  também foram interrompidas. As últimas foram realizadas no outono de 1916, na Califórnia.

Depois da I Guerra Mundial as corridas de carros só recomeçaram em 1919, quando a Targo Flório e as 500 Milhas de Indianápolis voltaram a ser realizadas.  Mas foi só em 1921 que um Grande Prêmio voltou a ser organizado na França. A corrida foi em La Mans e o vencedor foi um carro Duesemberg , pilotado por Murphy.

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No ano seguinte, o Grande Prêmio da França foi disputado na Alsácia, região recuperada da Alemanha depois de 50 anos de ocupação. Nessa competição, os carros Fiat de 6 cilíndros lideraram a maior parte do percurso e o veterano Felice Nazzaro chegou à frente dos carros Bugatti e de seus companheiros da Fiat. Já em 1923, o GP francês foi disputado na pista em Tours e pela primeira vez seria realizado o Grande Prêmio italiano no novo autódromo de Monza. Essa foi a primeira corrida de GP a ser ganha por um carro superalimentado. Os carros que correram em Monza eram carros em forma de bala de fuzil, com motores atrás e suspensão traseira por eixo oscilante.

Foram os técnicos da Fiat que introduziram a superalimentação através da aplicação de um compressor. Isto proporcionou um aumento de 34% na potência , de 12% no regime de rotação e de 13,5% na pressão média efetiva. Outra fábrica que adotou o compressor foi a Alfa-Romeo. A superalimentação foi utilizada até 1951. Por ser muito complexo, o compressor não foi produzido em série, mas serviu para acelerar o desenvolvimento de outras técnicas como o motor a explosão .

Outras pistas de Grande Prêmio surgiram nesta época. Na França as pistas de Montlhéry, onde o foi disputado o GP de 1925 e a de Miramas, onde realizou-se o GP de 1926, ambas com curvas em relevé. Também foram disputados GPs nas pistas de Spa-Francorchamps, Bélgica, em 1925,   Nürburgring, Alemanha, em 1927 e Monte Carlo, no principado de Mônaco, em 1929.

7_1BA corrida de Montecarlo é o GP mais difícil por ser disputado nas ruas da cidade. O primeiro Grande Prêmio de Montecarlo foi vencido por uma Bugatti pilotada por Williams. E foi no GP de 1933, disputado neste circuito, que os carros foram pela primeira vez alinhados para a largada de acordo com os tempos obtidos nas provas de classificação.

Durante os últimos anos da década de 20, as corridas de Grandes Prêmios estavam num nível muito baixo por causa das modificações constantes das fórmulas. Além disso, o aparecimento de muitos GPs sem importância acabou enfraquecendo a estrutura das competições na Europa.

O início da década de 30 marca a disputa entre três fabricantes de carros de corrida: Alfa Romeo, Maserati e Bugatti. Com a ascenção de Hitler ao Poder, em 1934, a Alemanha entra na briga e aparecem os carros mais potentes nos Gps.   São carros da Mercedes-Bens e Auto Union, com motores de 600 cv capazes de chegar a 300 km por hora. Foram os alemães que introduziam inovações técnicas importantes nas corridas de automóveis. As rodas com suspensão independente, chassi tubular, amortecedores hidraúlicos, molas helicoidais, rodas dianteiras e traseiras com dimensões diferentes, emprego de líquidos especiais, de alto grau de ebulição para refrigerar o motor.

É nesta fase, também, que surgem os pilotos lendários como Tazio Nuvolari, Bernd Rosemeyer, Achile Varzi, Manfred von Brauchitsch, Hans von Stuck, Carlo Pintacuda, Antonio Ascari, Divo, Segrave, Goux, entre outros.

Mas uma guerra  mais uma vez interrompe a realização de corridas de automóvel. Foi só depois do término da II Guerra Mundial que os campeonatos voltaram a ser disputados. A primeira corrida pós -guerra foi disputada no Bois de Boulogne, em Paris , em setembro de 1945  e quem venceu foi um carro Maseratti pilotado por Luigi Villoresi.  Em 1950 é disputado o primeiro Campeonato do Mundo de Pilotos que deu origem ao atual Campeonato de Fórmula I . Neste ano o vencedor foi o piloto Giuseppe “Nino” Farina que correu pela Alfa Romeo.