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Ligier

Desempenho

GPs:  613

Vitórias: 9

Poles: 9

Podios: 50

Pontos: 388

História

Guy Ligier, francês nascido no dia 12 de julho de 1930, como piloto certamente não apareceria em nenhum registro histórico da Fórmula 1. Nos 12 Grandes Prêmios que disputou em duas temporadas, 1966 e 1967, a sua melhor colocação foi um sexto lugar no Grande Prêmio da Alemanha de 1967, que lhe deu o 19º lugar no Campeonato dos Pilotos desse ano, com apenas um ponto. Mas a sua atuação como construtor, que colocou a equipe Ligier entre as grandes da categoria, garante presença dele em qualquer lista dos mais importantes nomes da Fórmula 1.

Órfão aos sete anos, Ligier fez quase tudo na vida antes de chegar à Fórmula 1. Foi aprendiz de açougueiro, jogador de rugby, campeão francês de remo, campeão de motociclismo na categoria de 500 centímetros cúbicos e empresário. E durante a Segunda Guerra, militou na Resistência Francesa, que reunia os patriotas franceses contra a ocupação alemã.

O empresário surgiu depois de encerrada a carreira de motociclista. Com o dinheiro obtido, abriu uma empresa de construção de estradas que chegou a ter 1.200 empregados e 500 máquinas, mas desapareceu em 1971, quando a aventura de construir um protótipo levou a construtora à falência.
A experiência com protótipos tinha começado bem antes, como piloto e preparador de carros, e quase foi interrompida em Nürburgring, em 1966, quando sofreu um sério acidente. Teve 47 fraturas e os médicos acharam que o único meio de evitar a morte seria a amputação das duas pernas.

O velho “maquis” resistiu à idéia e, quatro meses depois, voltava às pistas. Mas a carreira de piloto se encerrou definitivamente em 1971, quando Ligier assistiu à morte de seu melhor amigo, Jo Schlesser, numa prova de carros de até 2.000 cc. Em homenagem ao amigo, os carros da equipe levam até hoje a sigla JS.

Dos protótipos à Fórmula 1 foram cinco anos. Em 1976, no Grande Prêmio do Brasil, surgia o Ligier JS1 com uma tomada de ar tão alta que parecia uma corcunda e lhe rendeu os apelidos de “bule de chá” e Quasímodo, nome do personagem central do Corcunda de Notre Dame. Dirigido por Jacques Laffite, outro francês, o JS1 só começou a aparecer na zona de pontuação com um terceiro lugar, obtido no terceiro GP da temporada, nos Estados Unidos Oeste. Mas no final do campeonato a Ligier estava em quinto lugar, ao lado de equipes tradicionais como Lotus e Penske e à frente de outras muito mais antigas, como Shadow, Brabham e Surtees.

Em 1977, Laffite venceu o GP da Suécia na pista de Anderstorp. Foi a primeira vitória de um piloto francês num carro francês com motor francês na F-1. Um feito há muito esperado na França, país berço dos Grand Prix. O sucesso no GP da Suécia, porém, foi fruto de sorte e nunca se pode dizer que a Ligier viria a ser uma forte equipe na F-1.

Em 1979, porém, a equipe trocou os motores Matra pelos Ford/Cosworth e construiu o JS 11 incorporando o “efeito solo” e alguns avanços aerodinâmicos. O carro se mostrou logo o mais rápido da categoria. O efeito solo, porém, ainda era pouco conhecido dos engenheiros e técnicos e mesmo dentro da Ligier ninguém sabia como os carros eram tão bons. No início da temporada venceram com facilidade os GPs da Argentina e do Brasil. O segundo piloto da equipe, o também francês Patrick Depailler, venceu o GP da Espanha. Mas logo os concorrentes ultrapassaram a Ligier, que no final da temporada não conseguiu repetir o sucesso do início.

Em 1980, com Laffite e Didier Pironi, a Ligier, com motor Ford, já se colocava em segundo lugar na classificação dos construtores. Em 1981, com Laffite, Jarrier, Jabouille e Tambay e os motores Matra, não foi além de um quarto lugar. Nos anos seguintes, com mudanças constantes de motores e pilotos, a Ligier passou a ter dificuldades para se manter e foi obrigada, em vários anos, a participar das provas de qualificação para entrar na corrida.

Em 1991, por exemplo, Guy Ligier teve de recorrer à sua influência junto ao governo francês para conseguir de Bernie Ecclestone um convite para participar das provas nos Estados Unidos sem fazer a pré-qualificação. Nessa época ele lançou um novo carro equipado com motor Lamborghini, o sexto em dez anos. A partir desse ano, porém, teve início uma longa fase declinante da equipe, que nunca mais repetiu as boas performances, apesar de continuar com forte apoio das empresas estatais francesas e, eventualmente, do próprio governo francês.

No começo de 1992 foi divulgada a possibilidade de uma associação entre Ligier e Alain Prost. O então tricampeão francês testou o carro e decidiu cair fora, ficando sem pilotar na F-1 naquele ano. Guy Ligier, desgastado e com dívidas, teve que vender a equipe para Cyril de Rouvre, que acabou na cadeia por falcatruas financeiras na França.

No início de 1994 a Ligier, que já tinha uma bela sede ao lado do circuito de Magny-Cours, parecia caminhar para a falência com as mudanças políticas na França que apontavam o fim do apoio estatal à equipe. Foi então que apareceu o chefe da equipe Benetton, o italiano Flavio Briatore, que comprou a equipe e contratou o campeão da F-3.000, o francês Olivier Panis.

Apesar da administração competente de Briatore, a Ligier nunca conseguiu tirar todo proveito dos motores Renault que recebia e em 1995 acabou perdendo-os para a Benetton.

O hábil italiano, porém, conseguiu um acordo com os japoneses da Mugen-Honda para receber seus V 10, atropelando um acordo já assinado entre os japoneses e o italiano Giancarlo Minardi. Com esse motor e Olivier Panis ao lado de Aguri Suzuki e Martin Brundle, se revezando no segundo carro da equipe, a Ligier voltou a estar entre as grandes. Conquistou o quinto lugar no mundial de construtores graças a Olivier Panis, que ultrapassou a Jordan com os seis pontos obtidos com o segundo lugar no GP da Austrália.

No início de 1996,  o escocês Tom Walkinshaw, sócio de Flavio Briatore e Guy Ligier, vendeu 35% das suas ações a um grupo de empresas francesas que pretendia nacionalizar a escuderia com a ajuda do governo. Mas, enquanto isso não acontecia, Flavio Briatore continuava  no comando da equipe.

Mas 1996 foi a última temporada da Ligier na Fórmula 1.  Com os pilotos Olivier Panis( FRA) e Pedro Paulo Diniz, (BR).e um motor Mugen-Honda, conseguiu quinze pontos no campeonato, 13 de Panis e 2, de Diniz. Coube a Panis dar a última vitória à Ligier em terreno francês: Mônaco. No fim do ano a equipe acabou passando às mãos do ex-piloto francês Alain Prost.