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Copersucar

Um sonho brasileiro

A história da equipe Copersucar está intimamente ligada à da família Fittipaldi. O “Barão” Wilson Fittipaldi foi o primeiro jornalista brasileiro especializado em automobilismo. Seus filhos, Wilsinho e Emerson, sempre o acompanhavam nas corridas e desde cedo se encantaram com o ambiente.

O futuro dos garotos não poderia ser outro. Envolvidos pelo clima, se tornaram pilotos. Wilsinho foi um dos primeiros pilotos de fábrica do país, defendendo a equipe Willys, nos anos 1960. Emerson, que começou a correr de moto, escondido da mãe, logo agitava nos karts e ganhava provas de carro.

A trajetória dos dois pilotos sempre foi pontuada por “invenções” mecânicas que eles levavam para as pistas. Emerson foi dono de uma fábrica de volantes esportivos e, com Wilson, montou uma fábrica de carros da Fórmula Vê, com mecânica Volkswagen. Criaram ainda carros de corrida, como um Fusca com dois motores e um Porsche carenado.

F1 equipe copersucar fittipaldi 1974-1982

Era lógico pensar que, com a evolução de suas carreiras como pilotos, essas habilidades mecânicas fossem colocadas à prova na categoria principal. A F1 era sonho dos dois e depois que Emerson venceu provas e ganhou o título mundial, ficou evidente que, nos planos dos dois irmãos, o passo seguinte seria fazer um carro da F1.

O projeto começou a ser tocado por Wilsinho, que em 1974 conseguiu apoio de várias indústrias e até do governo brasileiro. No dia 16 de outubro de 1975, pilotado por Wilsinho, o FD-1, primeiro carro da dupla, foi apresentado oficialmente em Brasília. Na primeira corrida, no GP da Argentina de 1975, o modelo foi recebido como um avanço em termos de aerodinâmica para os carros da época. Logo nos treinos para essa corrida, porém, o carro se incendiou após uma batida, depois de vários problemas coma refrigeração do motor, todo carenado. O projeto foi alterado e um carro diferente daquele que fora levado à Argentina completou a temporada. Os resultados não foram dos mais expressivos e nenhum ponto foi conquistado.

No final daquela temporada, uma notícia surpreendeu o mundo do automobilismo. Emerson recusou convites da Ferrari e da McLaren, pela qual corria, pra se juntar ao irmão no projeto do F1 brasileiro. Emerson foi muito criticado no Brasil:todos sabiam que ele poderia bater vários recordes de vitórias e conquistar mitos títulos em outras equipes, não na sua Copersucar-Fittipaldi. Apesar do apoio de indústrias e governo, o povo não dava o menor crédito à equipe. Emerson, por seu lado, dizia que se não fosse o projeto do Copersucar, não teria motivação para continuar competindo e teria abandonado as pistas logo..

Com o talento de Emerson, a equipe prosperou nos projetos. Mas apesar de conquistar três pontos em 1976, seguia desgastada junto ao público. Projetos apresentados como inovadores acabavam no meio do pelotão e o brasileiro não aceita isso> Um exemplo ocorreu em 1977, quando o modelo F-5 foi apresentado com um peculiar desenho de duas tomadas de ar de cada lado. O carro não funcionou bem e em várias provas foi necessário usar o modelo antigo. Mesmo assim, havia evolução. Emerson marcou 11 pontos na temporada (a mesma pontuação de Gilles Villeneuve, da Ferrari) e a equipe ficou em 9° lugar.

Em meio a tanto vai e vem de projetos, a promessa de dar oportunidade a jovens pilotos brasileiros não passava de tentativa. Sem um segundo carro competitivo, não era possível aparecer bem. Ingo Hoffman foi um desses pilotos que, apesar de contrato assinado em 1976 e 1977, teve poucas chances reais.

Em 1978, com a denominação oficial de Fittipaldi-Ford, a equipe viveu seu melhor momento. Já mais flexíveis no sonho de ter tudo do carro “made in Brazil”, a fábrica não precisava mais viver importando e exportando seus equipamentos. Montou uma unidade na Inglaterra, mais próxima de fornecedores importantes, como a Cosworth, e projetou o F5a. Os resultados foram dos melhores e incluíram dois segundos lugares. Um no inesquecível GP Brasil, na pista de Jacarepaguá, no Rio, e outro na pista de Brands Hatch, na Inglaterra, numa prova que não contava pontos para o campeonato. Emerson marcou 17 pontos, sendo o10/, entre mais de 30 pilotos, e a equipe foi a sétima no mundial dos construtores, à frente da McLaren, Williams, Arrows e Renault, entre outras.

O ano seguinte foi um pesadelo e a equipe tomou a contramão de sua evolução. Marcou apenas um ponto no campeonato, porque mais um projeto havia nascido errado. Milhões de dólares foram desperdiçados no F6, um carro de desenho futurista, com um bico longo, mas que não funcionava, era maleável demais e torcia nas pistas. Mais uma vez o velho F5a foi usado. Mas, competindo com vários projeto de “carros asa”, Emerson não teve chance; fez apenas um ponto, com um sexto lugar na primeira corrida, na Argentina, e acabou na 21ª posição. A equipe ficou no 12º lugar.

Em 1980, a equipe evoluiu com os erros e apresentou muitas novidades. A sede continuava na Inglaterra e bons projetistas (entre eles Adrian Newey) e técnicos formavam seu staff. O F-7 foi um dos melhores carros da equipe e naquele ano 11 pontos foram conquistados. Cinco deles com Emerson Fittipaldi e os outros seis com o segundo piloto da equipe, o finlandês Keke Rosberg. Apesar desses resultados cada vez melhores, no Brasil continuava-se a falar mal dos Fittipaldi e da equipe.

Em 1981, Emerson anunciou o fim da sua carreira como piloto e ficou apenas como chefe da equipe. Wilsinho foi para o comando da fábrica , que fazia várias aquisições na Inglaterra, como a da equipe Wolf. Na pista, Keke Rosberg andava bem, mas os pontos não vinham.

Em 1982, exatamente no momento em que havia mais equipamento, know-how e equipe para se desenvolver, os patrocinadores, principalmente no Brasil, deixaram de investir. Rosberg saiu para ser campeão mundial pela Williams e a equipe, sem recursos, fechou suas portas no final da temporada.

Durante as suas oito temporadas, a Copersucar, ou Fittipaldi-Ford, disputou 104 GPs, obteve três pódios e somou 44 pontos.