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Arrows

A equipe Arrows nasceu de uma dissidência de técnicos e dirigentes da equipe Shadow, na época, patrocinada pelo milionário italiano Franco Ambrosio. Na nova equipe, ele entrou com o dinheiro e com o “AR” do nome. As outras iniciais eram as do diretor financeiro, Alan Rees, do ex-piloto de F-2 e diretor de operação da equipe, Jackie Olivier, e dos projetistas Dave Wass e Tony Southgate.

Os problemas da equipe começaram logo quando o piloto escolhido, Gunnar Nilsson, teve de ser substituído por causa de um câncer no estômago. O carro, projetado e construído em 60 dias, foi impedido de correr, pois a equipe Shadow, notando a semelhança de seu carro com o dos dissidentes, entrou na Justiça. Mais tarde o financiador da equipe, Franco Ambrosio, foi preso na Itália por fraudes no mercado financeiro.

Para piorar as coisas, ainda no primeiro ano da equipe, Riccardo Patrese, que havia substituído Nilsson, foi apontado como o causador do acidente que matou Ronnie Peterson, no GP da Itália, em Monza, e impedido de correr no GP dos Estados Unidos.

Para a temporada de 1979 foi projetado um carro com tendências revolucionárias, que lembrava, em seu desenho, as bombas voadoras dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Muito se falou da eficiência do desenho do carro, mas na pista nada de mais impressionante aconteceu.

O único resultado expressivo da equipe foi a pole position conquistada por Patrese, no GP dos Estados Unidos em 1981. Depois disso a equipe Arrows era apenas mais uma, até que conseguiu um acordo com a fábrica de motores Megatron. Estes nada mais eram que os motores turbo da BMW. rebatizados depois que a fábrica alemã deixou a categoria. Naqueles tempos conseguiu ser a sexta (1987) e a quarta (1988) equipe mais bem classificada entre os construtores.

No final dos anos 80, um acordo com o grupo japonês Footwork rebatizou a equipe, em troca de investimento financeiro. Parecia que, enfim, a equipe passaria ao grupo dos vencedores. Naquele ano fez um contrato com a Porsche, que lhe forneceria os motores, mas o que parecia um grande acordo foi um fracasso. A Porshe fez um motor de 12 cilindros que, na verdade, eram dois seis cilindros colados, muito pesado, sem resistência ou força.

Outro acordo, desta vez com a Mugen Honda, veio e algumas boas performances foram conseguidas por Michele Alboreto, Aguri Suzuki e, mais tarde, por Derek Warwick, mas ainda nada que fosse consistente. A equipe mesmo assim crescia e comprou tecnologia da McLaren para as suspensões ativas, pouco antes de serem banidas.

Para 1994, a equipe conseguiu projetar um carro de boa aerodinâmica e que, nas mãos de Christian Fittipaldi e Gianni Morbidelli, prometia muito. Mas a mudança das regras depois das mortes de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger acabaram com as chances da equipe, que não tinha dinheiro ou resultados para atrair novos patrocinadores.

No final do ano anterior a equipe voltara a ter o nome Arrows porque o empresário japonês Wataru Ohashi retirou boa parte de seu apoio financeiro. Sem dinheiro, a Arrows procurava sempre jovens pilotos dispostos a trazer patrocinadores. No início do campeonato de 1996, Tom Walkinshaw _que vendeu seus 35% da Ligier_ comprou a escuderia e esta passou a ser dirigida pela Tom Walkinshaw Racing.

A proposta era tornar a Arrows competitiva em pouco tempo. Os pilotos Ricardo Rosset (BRA) e Jos Verstappen (HOL), no entanto, pouco puderam fazer com o modelo Footwork FA 17 com motor Hart. No ano seguinte Damon Hill (ING) e Pedro Paulo Diniz (BRA) assumiram o cockpit do novo carro, desta vez com motor Yamaha. Mas quebras sucessivas fizeram com que a equipe terminasse o ano com um modesto oitavo lugar. Em 98, Diniz permaneceu na equipe, mas Damon Hill deu seu lugar ao finlandês Mika Salo. Os dois levaram a Arrows ao sétimo lugar no mundial de construtores. O sonho de Walkinshaw de ter uma equipe de ponta também foi frustrado em 99. Nem o espanhol Pedro De La Rosa nem o japonês Toranosuke Takagi puderam fazer muito com o modelo A20. A equipe ficou em nono lugar, com apenas um ponto, conseguido por De La Rosa.

O espanhol permaneceu na escuderia em 2000 e teve como companheiro o holandês Verstappen. A pré-temporada indicava que a Arrows, com o motor A21, estava prestes a conseguir um lugar de ponta. Mas Jos Verstappen e Pedro de la Rosa não conseguiram chegar lá. A equipe terminou o campeonato no 7º lugar, com sete pontos, cinco conseguidos por Verstappen e dois por  De La Rosa.

Para 2001, com motor AMT V10, uma variação do Peugeot V10, antes usado por Prost, a Arrows levou Enrique Bernoldi para fazer dupla com Verstappen, mas nenhum deles conseguiu sobressair. Verstappen fez o único ponto da equipe, que acabou em  10º, à frente apenas da Minardi, que não marcou nenhum ponto.

Em 2002, os problemas financeiros se agravaram. Vários patrocinadores abandonaram a equipe  e a crise chegou ao auge quando a Cosworth reteve os motores da Arrows, por falta de pagamento, antes do GP da Inglaterra. A equipe deixou de participar das últimas cinco provas do calendário. Walkinshaw tentou recuperar a escuderia, buscando sociedade com grupos árabes e alemães, mas não teve sucesso.

A FIA  a excluiu do calendário de 2003 e a Arrows deixou a Fórmula 1 com o melancólico recorde de nenhuma vitória em 783 largadas.