1991

Ayrton Senna conquistou novamente o título mundial, tornando-se tricampeão na Fórmula 1, e a McLaren venceu pela quarta vez consecutiva o Campeonato Mundial de Construtores, à frente da Williams, Ferrari e Benetton. Alegando a intenção de restabelecer a segurança, a FISA faz novas alterações no regulamento esportivo, criando a Special Comission of Inquiry for Safety (SPICS) com o objetivo de julgar o comportamento dos pilotos nas pistas.

Cada GP teria um supervisor e dois observadores para julgar os incidentes nas largadas; ficava proibida a substituição do carro em caso de nova largada; o piloto penalizado por queima da largada cumpriria punição de 10 segundos nos boxes e seriam computados todos os resultados obtidos pelos pilotos, não havendo mais descartes. O regulamento técnico também foi alterado, com a redução do alleron dianteiro de 150 para 140 mm; o levantamento das saias laterais para 25 mm acima  do assoalho; o avanço  de 10 cm do aerofólio traseiro, com sua extremidade posterior a 50 cm do eixo traseiro. O tanque de óleo foi retirado da célula de sobrevivência, que passou a ter 20% a mais de resistência  aos impactos.

O “santantonio” também  teve de ser reforçado e o tanque de gasolina foi colocado a no máximo 40 cm do eixo longitudinal do carro. A maioria das equipes apresentou carros novos ou modificados, para se adaptar às novas regras. A McLaren lançou o MP4/6, um carro projetado no computador, bem diferente daquele usado no ano anterior. A Benetton continuou com o B191, de câmbio automático e o motor Cosworth V8 especial e pneus Pirelli  A Ferrari começou o ano com câmbio semiautomático, montado na transversal, no 642, completamente diferente do carro de 1990. Em junho, porém, no GP de Ímola, a equipe fez o primeiro teste com o 643. A Williams apresentou o FW14-Renault, com câmbio semiautomático e efeito-solo e iniciou testes com suspensão e diferencial inteligentes.

A Tyrrell criou o carro 020, com motor Honda V10, que até a temporada anterior era uma exclusividade da McLaren. A Brabham iniciou o campeonato tentando adaptar seus carros aos novos motores Yamaha. E a rica Leyton House, equipe de Maurício Gugelmin, teve como novidade o motor Ilmor V10. No final da temporada, porém, o dono da equipe, o japonês Akira Akagi, foi preso no Japão, sob acusação de fraudes em empréstimos para a empresa, e a Mercedes ficou com a equipe e seus motores Ilmor. Quase todas as equipes, inclusive a Ferrari, e com exceção da McLaren, adotavam o bico elevado, lançado pela Tyrrel no campeonato anterior.

Na guerra dos motores, o Honda V12 terminou com 10 vitórias; o Renault V10, com 7 e o Ford HB V8 com apenas uma vitória no campeonato. Participaram do campeonato a Marlboro McLaren Honda, Tyrrel Honda, Williams Renault, Brabham Yamaha, Footwork Porsche-Ford, Lotus Judd, Fondmetal Ford, Leyton House Ilmor, AGS Ford, Benetton Ford, Dallara Judd, Minardi Ferrari, Ligier Ford, Ferrari, Lola Larousse Ford, Coloni Ford, Jordan Ford e Lambo.

As 18 equipes concorrentessomavam 49 pilotos, cinco deles estreantes na Fórmnula 1  (Mark Blundell, Rik Comas, Eric van de Paole, Pedro Chaves e Mika Hakinen) e dois  (Martin Brundle e Julian Bailey) retornando à categoria.

Ayrton Senna

Ayrton Senna

O piloto brasileiro Roberto Moreno foi despedido pela Benetton, sob a alegação de “física e mentalmente incapaz”. Moreno entrou com ação na Justiça e acabou fazendo um acordo pelo qual recebeu meio milhão de dólares da equipe.  Fora das pistas, houve também a demissão de Alain Prost pela Ferrari, nas vésperas da última corrida, em Adelaide, por ter feitos críticas à equipe; a condenação do piloto Felipe Gachot a 18 meses de prisão, na Inglaterra, e a morte de Soichiro Honda, fundador da fábrica de carros e motos. E em outubro, Jean-Marie Balestre perdeu as eleições para a presidência da Fisa para o inglês Max Mosley.

Nessa temporada,  Ayrton Senna fez 7 pole-positions, em 14 provas disputadas, vencendo os grandes prêmios dos Estados Unidos, Brasil, San Marino, Hungria, Bélgica e Austrália. Terminou em segundo na Itália, Portugal e Japão; em terceiro no México, em  quarto na Inglaterra e em quinto na Espanha. Pela primeira vez em sua carreira na Fórmula 1, Ayrton Senna venceu o Grande Prêmio do Brasil, disputado em Interlagos, São Paulo, no dia 24 de março.

A temporada, mais uma vez, começou nos Estados Unidos, no dia 10 de março, no circuito de rua de Phoenix, com 16 curvas, quase todas num ângulo de 90 graus. Depois de conquistar a 33ª pole em 40 corridas, Senna dominou amplamente a prova, vencendo de ponta a ponta, mesmo tendo de parar para trocar pneus. Na prova seguinte, em Interlagos, Senna teve uma verdadeira façanha.  Tendo perdido a 3ª marcha no meio da corrida, e as 4ª e 5ª a sete voltas do final, terminou a corrida apenas com a 6ª marcha engatada, conseguindo apesar disso, resistir ao intenso combate de Mansell e, depois, Patrese.

O brasileiro terminou a corrida extenuado, sem forças sequer para levar o carro até os boxes. Os êxitos de Senna se repetiram em Ímola e Mônaco, completando quatro vitórias consecutivas, nas quatro primeiras corridas do ano. A série foi interrompida por Piquet, no Canadá. Patrese ganhou o GP seguinte, no México, e Mansell dominou na França, Inglaterra e  Alemanha. Senna só voltou ao primeiro lugar na Hungria, recuperando a liderança do campeonato, e na Bélgica. Mansell ganhou mais dois grandes prêmios em seguida (outro foi vencido por Patrese), mas suas esperanças de alcançar Senna na classificação se esvairam no Grande Prêmio do Japão, onde o brasileiro cedeu o primeiro lugar ao companheiro de equipe Gerhard Berger, chegou em segundo e garantiu o título de campeão.

A conquista foi confirmada na prova seguinte, em Adelaide, com vitória numa corrida interrrompida depois de 14 voltas, devido à forte chuva e aos vários acidentes. No final da temporada dois grandes pilotos abandonaram a Fórmula 1, o brasileiro Nelson Piquet e o francês Alain Prost, mas o Brasil ganhou mais um piloto para o ano seguinte, Christian Fittipaldi. Piquet deixou as pistas depois de disputar 204 GPs, com 24 poles e 23 vitórias. Em novembro, a Mercedes anunciou a sua retirada da Fórmula 1. E outras duas equipes, a italiana Lambo e a francesa AGS, fecharam, por falta de dinheiro. Na sua primeira temporada na Fórmula 1, o jovem piloto alemão Michael Shumacher, correndo pela Jordan, ficou em 14º na classificação geral, com apenas 4 pontos.

1991–  Campeonato Mundial de Construtores

Pos.

Equipes

Pts.

McLaren

139

Williams

125

Ferrari

55,5

Benetton

38,5

Jordan

13

Tyrrell

12

Minardi

06

Dallara

05

Lotus

03

Brabham

03

11º

Lola

02

12º

Leyton House

01

   1991 – Classificação – Pilotos

Pos. Piloto Páis Equipe Pts

Ayrton Senna Brasil McLaren 96

Nigel Mansell Inglaterra Williams 72

Riccardo Patrese Itália Williams 53

Gerhard Berger Áustria McLaren 43

 5º

Alain Prost França Ferrari 34

Nelson Piquet Brasil Benetton 26,5

Jean Alesi França Ferrari 21

Stefano Modena Itália Tyrrell 10

Andréa de Cesaris Itália Jordan 09

10º

Roberto Pupo Moreno Brasil Minardi 08

11º

Pierluigi Martini Itália Minardi 06

12º

Jyrki Jarvilehto Finlandia Dallara 04
Bertrand Gachot França Lola 04
Michael Schumacher Alemanha Benetton 04
   15º Satoro Nakajima Japão Tyrrell 02
Mika Hakkinen Finlândia Lotus 02
Martin Brundle Inglaterra Brabham 02
 18º Emanuelle Pirro Itália Dallara 01
Mark Blundell Inglaterra Brabham 01
Ivan Capelli Itália Leyton House 01
Eric Bernard França Lola 01
Aguri Suzuki Japão Lola 01
Julian Cailey Inglaterra Lotus 01
24º Giani Morbidelli Itália Ferrari 0,5

 

1991 –  Grandes Prêmios

 
Dia GP Circuito Voltas Vencedor Equipe Tempo
10/03 EUA Phoenix 81 – 299,700 km Ayrton Senna McLaren 2h00m47s828
24/03 Brasil Interlagos 71 – 307,065 km Ayrton Senna McLaren 1h38m28s128
28/04 S. Marino Ímola 61 – 307,400 km Ayrton Senna McLaren 1h35m14s750
12/05 Mônaco Monte Carlo 78 – 259,584 km Ayrton Senna McLaren 1h53m02s334
02/06 Canadá Montreal 69 – 306,670 km Nelson Piquet Benetton 1h38m51s490
16/06 México H. Rodrigues 67 – 296,207 km Riccardo Patrese Williams 1h29m52s205
07/07 França Magny-Cours 72 – 307,512 km Nigel Mansell Williams 1h38m00s056
14/07 Inglaterra Silverstone 59 – 308,334 km Nigel Mansell Williams 1h27m35s479
28/07 Alemanha Hockenheim 45 –  305,865 km Nigel Mansell Williams 1h19m29s661
11/08 Hungria Hungaroring 77 –  305,536 km Ayrton Senna McLaren 1h49m12s796
25/08 Bélgica Spa 44 – 305,360 km Ayrton Senna McLaren 1h27m17s669
08/09 Itália Monza 53 –  307,400 km Nigel Mansell Williams 1h17m54s319
22/09 Portugal Estoril 71 – 308,850 km Riccardo Patrese Williams 1h35m42s304
29/09 Espanha Barcelona 65 – 308,555 km Nigel ManselL Williams 1h38m41s541
20/10 Japão Suzuka 53 – 310,792 km Gerhard Berger McLaren 1h32m10s695
03/11 Austrália Adelaide 14 – 52,920 km * Ayrton Senna McLaren      24m34s899

* Corrida interrompida na 14ª volta devido ao mau tempo