1990

Depois de contornar ameaça de perder a Superlicença, por causa do incidente no Japão, no ano anterior, Ayrton Senna, com  78 pontos, conquistou seu segundo campeonato na Fórmula 1, com o francês Alain Prost em segundo, com 73 pontos, e Nelson Piquet em terceiro, com 43. Os outros brasileiros na Fórmula 1 não conseguiram bons resultados. Roberto Moreno, da Benetton, terminou em décimo lugar, embora tenha conseguido sua melhor performance na Fórmula 1, com um segundo lugar no Japão, e Mauricio Gugelmin, da March Judd, em último.

A McLaren tornou-se tricampeã do Campeonato Mundial de Construtores, com 121 pontos,  seguida pela Ferrari, com 110, e Benetton, 71. Esse foi o último ano em que vigorou o sistema de descarte de resultados, implantado em 1950 e que desde 1981 previa a soma dos resultados de apenas 11 das 15 (de 81e 83) ou 16 (dos demais anos) provas disputadas durante a temporada. A partir de 1991, todos os resultados passariam a ser somados para a classificação final.

Ayrton Senna

Ayrton Senna

O campeonato foi disputado por 19 equipes, saindo a Zakspeed e a Rial Ford e entrando a Life. Disputaram o campeonato Ferrari, Tyrrel Ford, Williams Renault, Brabham Judd, Arrows Ford, Lotus Lamboghini, March Leyton House Judd, Osella Ford, Benetton Ford, Minardi Ford, Ligier Ford, Marlboro McLaren Honda, Lola Larousse Lamborghini, Coloni Ford, Eurobrun Judd, Onyx Ford, Life e AGS Ford. O número de pilotos diminuiu bastante, passando de 54, em 89, para 42.

Ayrton Senna confirmou sua fama de rei das poles, fazendo 10 pole-positions nas 16 provas disputadas, ganhando os grandes prêmios dos Estados Unidos, Monaco, Canadá, Alemanha, Hungria Bélgica e Itália; ficando em segundo em Portugal e em terceiro no Brasil, França e Inglaterra. Nesse ano, o calendário mudou e o Grande Prêmio do Brasil não foi o primeiro da temporada, mas o segundo, após o GP dos Estados Unidos. E, depois de dez anos no Rio de Janeiro, voltou a ser realizado no autódromo de Interlagos – Circuíto José Carlos Pace -, em São Paulo, no dia 25 de março. Em Phoenix, nos Estados Unidos, Gerhard Berger foi o pole, mas Ayrton Senna ganhou a prova, depois de um bom duelo com Alesi, a surpresa e sensação da corrida e líder durante 32 voltas.

Em Interlagos, Senna saiu em primeiro e liderou a corrida durante 38 voltas, mas perdeu a chance de obter nova vitória, que parecia certa, ao se chocar com a Tyrrell do japonês Nakajima. Com 12 segundos de vantagem sobre o segundo colocado, que era Prost, Senna tentou por quatro vezes ultrapassar Nakajima, sem conseguir. Quando, afinal, o japonês decidiu abrir e dar passagem, o seu Tyrrel rodou e atingiu o McLaren de Senna, que ficou sem o bico. A demora na troca custou a liderança e o segundo lugar, ocupados, respectivamente por Prost e Berger.

No terceiro Grande Prêmio, em Ímola, Ayrton Senna abandonou logo na quarta volta, por quebra de roda; Prost escolheu mal os pneus e não teve condição de lutar pelos primeiros lugares, acabando em 4º; Mansell teve uma rodada espetacular e na tentativa de recuperação estourou o motor e, com tudo isso, Riccardo Patrese, voltou a levar a Williams ao primeiro lugar, num resultado que ninguém podia esperar. Prost e Senna se revezaram na primeira colocação na maioria das provas seguintes. Senna ganhou em Mônaco, Canadá, Alemanha, Bélgica (onde igualou a marca de Jim Clarck, com 25 vitórias em Grandes Prêmios) e Itália. Prost foi primeiro na França, México, Espanha e Inglaterra. Nigel Mansell ganhou em Portugal e na Hungria,Thierry Bousen obteve a sua terceira vitória na Fórmula 1. Ao chegarem à penúltima prova, no Japão, Senna e Prost estavam, outra vez,  praticamente empatados e, se  nenhum deles fizesse ponto, o campeão seria Senna.

O brasileiro aproveitou para dar o troco. Na largada, o carro de Senna, que era pole, patinou e Prost saiu na frente. Na primeira curva, Senna não teve dúvida,  lançou seu carro contra o do adversário; acabou com a corrida  dos dois  e decidiu o campeonato.  A Ferrari pediu punição para o piloto brasileiro, mas não aconteceu nada. Nelson Piquet se beneficiou com a saída dos dois e de Nigel Mansell e ganhou a corrida, com Roberto Moreno em segundo lugar. Piquet voltou a vencer em Adelaide, no 500º Grande Prêmio da Fórmula 1, com Mansell em segundo e Prost em terceiro lugar.

Um ponto a destacar nessa temporada foi a ofensiva dos japoneses na Fórmula 1. Seja fornecendo motores ou garantindo patrocínio, os japoneses estiveram presentes em pelo menos sete das 19 equipes nesse ano: McLaren, Lola, Tyrrel, Arrows, March, Benetton e Coloni.

1990 –  Campeonato Mundial de Construtores

Pos.

Equipes

Pts.

McLaren

121

Ferrari

110

Benetton

71

Williams

57

Tyrrell

16

Lola

11

March

07

Lotus

03

Arrows

02

Brabham

02

   1990 – Classificação – Pilotos

Pos. Piloto Páis Equipe Pts

Ayrton Senna Brasil McLaren 78

Alain Prost Frnça Ferrari 71

Nelson Piquet Brasil Benetton 43
Gerhard Berger Áustria McLaren 43

 5º

Nigel Mansell Inglaterra Ferrari 37

Thierry Boutsen Bélgica Williams 34

Riccardo Patrese Itália Williams 23

Alessandro Nannini Itália Benetton 21

Jean Alei França Tyrrell 13

10º

Ivan Capelli Itália March 06
Roberto Pupo Moreno Brasil Benetton 06
Aguri Suzuki Japão Lola 06

13º

Eric Bernard França Lola 05

14º

Derek Warwic Inglaterra Lotus 03
Sattoru Nakajima Japão Tyrrell 03
  16º Alex Caffi Itália Brabham 02
Stefano Modena Itália Brabham 02
 18º Mauricio Gugelmin Brasil March 01

 

1990 – Grandes Prêmios

 
Dia GP Circuito Voltas Vencedor Equipe Tempo
11/03 EUA Phoenix 72 –  273,456 km Ayrton Senna McLaren 1h52m32s959
25/03 Brasil Interlagos 71 – 307,075 km Alain Prost Ferrari 1h37m21s258
13/05 S.Marino Ìmola 61 – 307,440 km Riccardo.Patrese Williams 1h30m55s478
27/05 Mônaco Montecarlo 78 – 259,584 km Ayrton Senna McLaren 1h52m46s982
10/06 Canadá Montreal 70 – 307,300 km Ayrton Senna McLaren 1h42m56s400
24/06 México H.Rodrigues 69 –  305,049 km Alain Prost Ferrari 1h32m35s783
08/07 França Paul Ricard 80 –  305,040 km Alain Prost Ferrari 1h33m29606
15/07 Inglaterra Silverstone 64 – 305,792 km Alain  Prost Ferrari 1h18m30s999
29/07 Alemanha Hockenheim 45 – 305,865 km Ayrton Senna McLaren 1h20m47s164
12/08 Hungria Hungaroring 77 –  305,536 km Thirry  Boutsen Williams 1h49m30597
26/08 Bélgica Spa 44 – 306, 360 km Ayrton Senna McLaren 1h26m31s997’
09/09 Itália Monza 53 –  307,400 km Ayrton Senna McLaren 1h17m57s878
23/09 Portugal Estoril 61 –  265,350 km Nigel Mansell Ferrari 1h22m11s014
30/09 Espanha Jerez 73 –  307,914 km Alain Prost Ferrari 1h48m01s461
21/10 Japão Suzuka 53 –  310,527 km Nelson Piquet Benetton 1h34m36s824
04/11 Austrália Adelaide 81 – 306,180 km Nelson Piquet Benetton 1h49m44s570