1988

Ayrton Senna conquistou seu primeiro título mundial na Fórmula 1, com 90 pontos, correndo pela McLaren Honda (turbo), que também venceu o Campeonato Mundial de Construtores, com 199 pontos, mais do que o dobro de pontos da Ferrari que obteve somente 65. A McLaren venceu 15 das 16 corridas, só perdendo em Monza para a Ferrari.

O ano ficou marcado pelo duelo entre Senna, que venceu oito corridas,  e Prost, ganhador em sete provas. Senna conquistou o título na penúltima prova, O GP do Japão, considerada a melhor exibição da sua carreira. Ele saiu na pole, atrasou-se na largada, por causa do motor, caiu para a 14ª posição, perdendo a liderança para Prost. Mas numa recuperação surpreendente, passou por oito adversários, assumiu a segunda posição na 20ªvolta e tomou a liderança de Prost na 28ª, ganhando a corrida e o primeiro título de campeão mundial. Nélson Piquet ficou em sexto lugar e o outro brasileiro na Fórmula 1, Maurício Gugelmin, correndo pela March Judd, terminou em décimo terceiro no campeonato.

Na parte técnica, essa foi uma temporada de transição, a despedida dos motores turbo de 1.500 cc, que tiveram a sua potência restringida _ (limite de pressão de 2,5 bares, através das válvulas “pop-off” (fornecidas pela FISA a todas as equipes)  e consumo máximo de combustível de 150 litros por corrida e peso máximo de 540 kg. A partir de 1989, os turbos estariam proibidos. Para os motores aspirados continuou valendo o regulamento de 1987: 3.500c; peso mínimo de 500 kg e consumo livre, sem reabastecimento. Pela primeira vez,, em algumas provas, os 31 pilotos incrito tiveram que passar por um treino de pré-qualificação para a formação do grid de largada. Entre os pilotos havia cinco estreantes, um deles o brasileiro Maurício Gugelmin.

As equipes participantes foram: Lotus Honda, Tyrrel Ford, Williams Judd, Zakspeed, Marlboro McLaren Honda, AGS Ford, March Judd, Arrows, Megatron, Beneton Ford, Rial Ford, Minardi Ford, Ligier Judd, Ferrari, Lola Ford, Eurobrun, Coloni Ford, Osella e Dallara Ford.  No total eram 39 carros, 13 deles novos modelos.

Nas 16 corridas da temporada, o campeão Ayrton Senna fez 13 pole positions, vencendo os grandes prêmios de San Marino, Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Hungria, Bélgica e Japão. Ficou  em segundo nas provas do México e da França; obteve o quarto lugar na Espanha e  o sexto em Portugal. O francês Alain Prost, companheiro de Senna na McLaren, venceu o Grande Prêmio do Brasil disputado em Jacarépagua, no dia 3 de abril. Senna tinha conseguido a pole, porém, pouco antes da largada, o câmbio engripou e ele não conseguia engatar a primeira marcha.

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Ayrton Senna

A largada foi adiada, os pilotos tentaram fazer o conserto no grid, mas o piloto preferiu sair correndo para os boxes, pegar o carro reserva e largar em penúltimo lugar. O último era Ivan Capelli, que também tivera problemas no grid. Dada a largada, Prost logo superou Mansell, que era o segundo no grid, e impôs o ritmo da corrida. Senna fez uma corrida de recuperação, chegou a ficar em segundo lugar, mas na 30ª volta recebeu a bandeira preta, sendo desclassificado. O brasileiro se recuperou logo a seguir, com a vitória em San Marino, mas na terceira prova, em Mônaco, cometeu um erro e teve de ceder a vitória a Prost. Novamente. Senna tinha dominado facilmente os treinos, conseguindo um tempo bem melhor do que os de Prot e Berger. Na corrida, largou bem e a cada volta aumentava a vantagem sobre Berger e Prost e depois Prost e Berger. Porém, faltando 12 voltas para o final, Senna se desconcentra, toca com o pneu no guard rail interno da pista, o carro é atirado contra o guard rail do outro lado e fica sem a suspensão dianteira. Ao piloto brasileiro só restou atravessar a rua e chegar mais cedo em casa. No México, a etapa seguinte, a história se repetiu: Senna fez a pole, a quarta da temporada, mas quem venceu a corrida foi Prost.

No Canadá e nos Estados Unidos, Senna reagiu e ganhou, fazendo a segunda e a terceira dobradinhas consecutivas com Prost. No Grande Prêmio da França, Senna teve problemas com o câmbio e dificuldades para engatar as 2ª, 5ª e 6ª marchas e Prost venceu com folga. Depois disso, começou uma série de triunfos do piloto brasileiro. Ele venceu sucessivamente em Silverstone, na Inglaterra (que os trocadilhistas da Fórmula 1 começaram a chamar de “Silvastone”) ; na Alemanha, na Hungria e na Bélgica. Quando parecia que iria conquistar a oitava vitória no campeonato, na pista de Monza, na Itália,  Ayrton Senna e as McLaren provocaram a maior surpresa do campeonato. Primeiro foi o carro de Prost que teve problemas e o obrigou a abandonar a prova.

Depois, uma manobra mal feita de Senna causou a saída do outro McLaren. Faltando apenas duas voltas para o final e com a liderança folgada, Senna tentou ultrapassar o francês Schlesser, quando este rodou na pista, na entrada da chicane. Ao contrário do que deve ter calculado Senna, Schlesser conseguiu dominar o carro, voltou para a pista e bateu na McLaren, jogando-a na zebra com as rodas para cima. Berger e Alboreto, com duas Ferraris, acabaram ganhando a corrida, para delírio dos já desesperançados “tifosi” ferraristas.

Prost venceu os dois Grandes Prêmios seguintes, em Portugal e na Espanha, e chegou ao Japão disputando o título com Senna. Depois da corrida de Portugal, em que Senna ocupou a sexta colocação, surgiram rumores, que ninguém conseguiu confimar, da existência de uma trama da Honda para que o brasileiro facilitasse as coisas para o companheiro de equipe, adiando a confirmação do título de campeão para corrida do Japão, sede da empresa. Em Suzuka, Senna obteve a 12ª pole do ano, a 28ª da sua carreira, mas teve problema na largada e caiu para a oitava colocação.

Recuperou-se, porém, ajudado pelas duas pancadas de chuva que cairam durante a corrida e pelas dificuldades de Prost com o câmbio e acabou chegando em primeiro lugar, com 13 segundos de vantagem sobre o companheiro. Na Austrália, última etapa do campeonato, Senna fez a 13ª pole, mas na corrida ficou em segundo lugar, o suficiente para confirmar o título. O pódio de Adelaide, nesse ano, teve, pela primeira  vez em 15 anos, três campeões mundiais: Prost, Senna e Piquet.

   1988 – Classificação – Pilotos

Pos. Piloto Páis Equipe Pts

Ayrton Senna Brasil McLaren 90

Alain Prost França McLaren 87

Gerhard Berger Áustria Ferrari 41

Thierry Boutsen Bélgica Benetton 27

 5º

Michele Alboreto Itália Ferrari 24

Nelson Piquet Brasil Lotus 22

Ivan Capelli Itália March 17
Derek Warwic Inglaterra Arrows 17

Nigel Mansell Inglaterra Williams 12
Alessandro Nannini Itália Williams 12

11º

Riccardo Patrese Itália Williams 08

12º

Eddie Cheever EUA Arrows 06

13º

Mauricio Gugelmin Brasil March 05
Jonathan Palmer Inglaterra Tyrrell 05
  15º Andrea de Cesaris Itália Rial 03
  16º Satori Nakajima Japão Lotus 01
Pierluigi Martini ITália Minardi 01

 

1988 – Campeonato Mundial de Construtores

Pos.

Equipes

Pts.

MacLaren

199

Ferrari

65

Benetton

39

Lotus

23

Arrows

23

March

22

Williams

20

Tyrrell

05

Rial

03

10º

Minardi

01

 

1988 –  Grandes Prêmios

 
Dia GP Circuito Voltas Vencedor Equipe Tempo
03/04 Brasil Jacarepagua 60  – 301,860 km Alain Prost McLaren 1h36m08s857
01/05 San Marino Ímola 60 – 302.400 km Ayrton Senna McLaren 1h32m41s264
15/05 Mônaco Monte Carlo 78 – 259,584 km Alain Prost McLaren 1h57m17s077
29/06 México H. Rodriguez  67 –  296,207 km Alain Prost McLaren 1h30m15s737
12/06 Canadá Montreal 69 – 302,910 km Ayrton Senna McLaren 1h39m46s618
19/06 EUA Leste Detroit 63 – 253,449 km Ayrton Senna McLaren 1h54m56s035
03/07 França Le Castellet 80 – 305,040 km Alain Prost Mclaren 1h37m37s328
10/07 Inglaterra Silverstone 65 – 310,570 km Ayrton Senna McLaren 1h33m16s367
24/07 Alemanha Hockenheim 44 – 299,068  km Ayrton Senna McLaren 1h32m54s188
07/08 Hungria Hungaroring 76 – 305,064 km Ayrton Senna McLaren 1h57m47s081
28/08 Belgica Spa 43 – 298,420 km Ayrton Senna McLaren 1h28m00s549
11/09 Italia Monza 51–  295.800  km G. Berger Ferrari 1h17m39s744
25/09 Portugal Estoril 70 – 304,500  km Alain Prost McLaren 1h37m40s958
02/10 Espanha Jerez  72 – 303,696 km Alain Prost McLaren 1h48m43s851
30/10 Japão Suzuka  51 –  298,809 km Ayrton Senna McLaren 1h33m26s173
13/11 Austrália Adelaide  82 – 309.960 km Alain Prost McLaren 1h53m14s676